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Holambra é conhecida como a Capital Nacional das Flores

22/08/2018

Holambra tem uma população de pouco mais de 13 mil habitantes e é considerada referência da floricultura nacional. O município ostenta o título de maior centro de comercialização de flores e plantas ornamentais do país, respondendo por quase a metade (45%) do mercado brasileiro de flores e plantas ornamentais. As vendas são realizadas por meio de duas importantes cooperativas: Veiling de Holambra e Cooperflora.

Localizada na saída 140 da Rodovia Campinas-Mogi Mirim (SP-340), interior de São Paulo, a antiga colônia holandesa é sede, anualmente, da Expoflora, o maior evento de flores e plantas ornamentais da América Latina.

A Expoflora atrai, por ano, cerca de 300 mil turistas, número 23 vezes maior do que a população da cidade. Os turistas encantam-se com o colorido e a beleza das flores. A cidade mantém forte presença da cultura holandesa no incentivo aos grupos de danças típicas, que reúnem cerca de 300 integrantes, na culinária de seus restaurantes e confeitarias e na arquitetura dos imóveis.

Essas peculiaridades são tão importantes para o incremento do turismo na cidade que, para incentivar a conservação e a adoção da arquitetura holandesa tradicional como estilo de construção, a Prefeitura de Holambra oferece descontos que podem chegar a 50% do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para aqueles que seguirem essa política.

Holambra, Capital Nacional das Flores

A Estância Turística de Holambra ganhou reconhecimento oficial como sendo a Capital Nacional das Flores em 2011. A atribuição do título está na Lei 12.428/2011, sancionada pela então presidente da República Dilma Rousseff. A proposta foi apresentada pelo deputado federal Roberto Alves (PTB).

No texto do projeto, o parlamentar descreveu o desempenho do município na produção e na venda de flores e plantas. Alves também destacou a importância dos colonizadores holandeses que se estabeleceram em Holambra para “viver, criar e plantar”. O município já havia sido reconhecido como Estância Turística em 1998.

História de Holambra

Segunda Guerra Mundial provocou a imigração holandesa para o Brasil
A Holanda foi parcialmente devastada pela Segunda Guerra Mundial. Nas áreas urbanas havia o problema da falta de alimentos e, para incrementar a produção, seriam necessários grandes investimentos. Nessa situação pós-guerra, muitos holandeses não tinham sequer onde morar e estavam abalados pela perda de amigos, parentes e bens. Temia-se, ainda, a ocorrência de outra guerra na Europa e uma possível ocupação comunista. Não havia perspectivas para as novas gerações, inclusive em virtude do reduzido tamanho do território holandês que, comparativamente, é 250 vezes menor do que o território brasileiro.

O Brasil era o único país que aceitava imigração em grupos
O Brasil foi escolhido porque era o único país que aceitava a imigração em grupos, tinha identificação religiosa com os holandeses (catolicismo) e terras disponíveis para aquisição. Assim, os holandeses vieram apoiados pela Liga de Agricultores Católicos, entidade que se encarregou de organizar parte do projeto de imigração. Diferentemente de outros grupos migratórios, os holandeses, desde o início, tinham em mente fazer do Brasil sua nova pátria.

Fazenda comprada pelos holandeses era o “Deserto de Mogi”
A Comissão de Representantes da Liga de Agricultores Católicos, cuja missão era adquirir terras e fundar uma Cooperativa de Produtores Rurais, chegou em 1947 e adquiriu uma gleba de terra na região de Mogi Mirim, de cinco mil hectares, na antiga fazenda Ribeirão, que pertencia à Cia. Armour do Brasil S/A (Frigorífico Armour).

A ideia inicial era criar gado. Em maio de 1948, chegaram os dois pioneiros com os primeiros animais e equipamentos para a colonização da nova terra. Um mês depois eles já haviam fundado a Cooperativa Agropecuária Holambra (o nome é a junção das palavras Holanda, América e Brasil). Em novembro, vieram três outros imigrantes com a missão de construir casas de alvenaria para abrigar as famílias. As réplicas das casas de pau a pique desses construtores e as de alvenaria foram preservadas e podem ser visitadas ao lado do Museu de Holambra.

Em janeiro de 1949, chegaram as primeiras famílias para tornar aquelas terras produtoras de trigo, arroz e milho e adequá-las à pastagem do gado de leite. Mas, para que o sonho se realizasse, os holandeses tiveram que enfrentar, antes, alguns pesadelos: o gado holandês, de linhagem pura (aproximadamente 800 cabeças), foi quase dizimado pelas doenças tropicais e pela febre aftosa; o idioma transformou-se em uma grande barreira para os negócios; as terras adquiridas estavam exauridas pelo cultivo de outras culturas - como o café - erradicadas depois da grande crise de 1929.

O solo apresentava baixa concentração de componentes minerais, ocasionando, assim, uma baixa produtividade das lavouras. Os holandeses não sabiam, mas, localmente, a fazenda adquirida por eles era conhecida como o Deserto de Mogi.

Para solucionar o problema das terras áridas, os imigrantes holandeses enviaram um representante à Holanda para buscar novos recursos e reiniciar os trabalhos na lavoura. Eles pediram um refinanciamento das dívidas contraídas com o Crédito Rural ao governo brasileiro e dividiram a terra em lotes de 15 a 20 hectares, sendo que cada um cuidaria da produção do seu pedaço de chão. Foi criada a Cooperativa Holambra para a comercialização de tudo que fosse produzido: trigo, arroz, batata, milho, leite etc. Pode-se dizer que foi uma reforma agrária realizada com amplo sucesso.

Crianças transformaram-se em intérpretes para os negócios
A grande diferença das línguas fez com que a comunicação entre brasileiros e holandeses fosse feita por mímica. Os nomes holandeses são de difícil pronúncia e, por isso, muitos foram abrasileirados: Johannes W. H. Eltink, o atual presidente do Museu de Holambra, é chamado até hoje, simplesmente, de seu João.

Como as crianças tinham mais facilidade para aprender, pois estudavam nas escolas da região e foram alfabetizadas também em português, elas eram levadas por seus pais para servirem de intérpretes e intermediarem os negócios, que nem sempre saíam como eles imaginavam.

Cultivo de flores começou no final da década de 1950
O cultivo de flores teve início em 1957, com a produção de gladíolos (palma de Santa Rita). No entanto, foi entre 1958 e 1965 que a cultura se expandiu. Em 1972, criou-se o Departamento de Floricultura, dentro da Cooperativa, para a venda de grande variedade de flores e plantas ornamentais. Hoje são várias cooperativas para a comercialização de diferentes produtos e que também atuam de diversas formas, como televendas, intermediação e internet. A maior delas, a Cooperativa Veiling de Holambra, utiliza um moderno sistema de leilão diário e responde pela comercialização entre 35% e 40% das flores e plantas ornamentais produzidas no país.

Emancipação política aconteceu em 1991
Em março de 1982, um grupo de moradores formou a Comissão Pró-Emancipação de Holambra, pois eram muitas as dificuldades enfrentadas pelos produtores e moradores pelo fato de a Fazenda Ribeirão - onde vivia a Comunidade Holambra - pertencer territorialmente a quatro municípios (Jaguariúna, Artur Nogueira, Santo Antônio de Posse e Cosmópolis).

O objetivo desse grupo era reter os impostos gerados por suas atividades
produtivas para realizar as obras de saneamento, asfalto e melhoria das condições de vida de seus moradores, atendendo de maneira prioritária aos interesses da comunidade.

Em 27 de outubro de 1991, no plebiscito pela autonomia de Holambra, 98% dos votantes disseram sim à emancipação. Em outubro de 1992, aconteceu a primeira eleição para a escolha do prefeito, vice-prefeito e vereadores. O espírito comunitário prevaleceu até para a montagem da nova estrutura administrativa do município. A comunidade colaborou cedendo móveis, máquinas e outros materiais para ajudar os órgãos públicos a iniciar suas atividades. Em abril de 1998, Holambra recebeu o título de Estância Turística. Hoje, firma-se no cenário nacional e internacional como Cidade das Flores.

Serviço:
37ª Expoflora
Localização: Holambra/SP
Data: 24 de agosto a 23 de setembro (de sexta a domingo)
Horário: das 9h às 19h
Ingressos: R$ 48,00 na bilheteria e no site www.ingressorapido.com.br
Patrocínio: Coca-Cola Femsa Brasil, Água Mineral Crystal, Amstel e Ultragaz e apoio do Banco do Brasil e da Prefeitura Municipal da Estância Turística de Holambra.
Informações para o público: (19) 3802-1499

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